Insights de Mercado

O que a nova geração realmente espera da remuneração?

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Por muito tempo, oferecer um bom salário era o principal caminho para atrair e reter talentos. Mas esse cenário começou a mudar. A chegada das novas gerações ao mercado, especialmente a Geração Z, vem mostrando que a relação entre pessoas e trabalho se tornou um pouco (ou muito!) mais complexa.

Sim, o dinheiro continua sendo importante – não estamos dizendo o contrário. O que estamos dizendo é que ele deixou de ser o único fator decisivo. Hoje, profissionais avaliam o pacote completo da experiência oferecida pela empresa. E organizações que ainda apostam apenas na remuneração financeira podem enfrentar dificuldades, especialmente para engajar e reter talentos.

Hoje, mais do que nunca, é muito importante entender o que as novas gerações esperam de remuneração, benefícios e experiência no ambiente profissional. Então esse foi o primeiro tema da temporada 2026 do ConsultAqui – assista aqui!

Para este conteúdo, trazemos os principais pontos da conversa com Juliana Castro, Coordenadora de Remuneração da Carreira Muller. Ela fala sobre como a Geração Z e seu perfil crítico, conectado e atento às práticas corporativas, está trazendo novos desafios e oportunidades para as empresas.

Mas, antes de falar sobre benefícios, flexibilidade e novas práticas, é importante começar pelo elemento mais tradicional — e que continua relevante: o salário.

Salário importa sim — mas não é tudo

Já falamos que o salário deixou de ser o único fator decisivo para atrair e engajar talentos, mas também existe um mito de que as novas gerações não ligam para dinheiro. Na prática, isso não é verdade. 

O que mudou foi a forma como o salário é interpretado dentro da jornada profissional.

A Geração Z tende a analisar a proposta de trabalho de forma mais ampla, considerando:

  • Cultura organizacional;
  • Benefícios oferecidos;
  • Oportunidades de crescimento;
  • Qualidade de vida;
  • Coerência entre discurso e prática, etc.

Esse olhar mais crítico acontece porque essa geração tem acesso a uma quantidade enorme de informações. Redes sociais, avaliações públicas de empresas e troca de experiências entre profissionais permitem que eles comparem organizações com muito mais facilidade do que antes. “Eles comparam práticas entre empresas e analisam se aquilo que está sendo oferecido realmente agrega valor ao dia a dia”, diz Juliana.

Ou seja: prometer algo e não cumprir deixou de ser apenas um risco reputacional – passou a ser um fator direto de perda de talentos.

Quando ampliamos esse olhar para além da remuneração financeira, começamos a entender quais fatores realmente influenciam a decisão desses profissionais. E é nesse ponto que a flexibilidade ganha protagonismo.

E o que a Geração Z mais valoriza no trabalho?

Entre os fatores que mais pesam na decisão das novas gerações, a flexibilidade aparece como um dos principais.

Mas ela vai muito além do trabalho remoto. Inclui também:

  • Autonomia na rotina de trabalho;
  • Possibilidade de personalização de benefícios;
  • Equilíbrio entre vida pessoal e profissional;
  • Estruturas menos rígidas de carreira.

O modelo tradicional de benefícios, padronizado para todos, começa a perder força. Em seu lugar, cresce a valorização de soluções mais adaptáveis à realidade individual de cada colaborador.

Se a flexibilidade se tornou prioridade, ela naturalmente impacta a forma como os benefícios são estruturados. Afinal, oferecer opções personalizadas passou a ser uma das melhores formas de atender às diferentes necessidades dos colaboradores.

Qual o melhor pacote de benefícios para a Geração Z?

Um dado levantado pela Carreira Muller chama atenção: apenas 14,4% das empresas oferecem benefícios flexíveis atualmente.

“É um percentual pequeno, e cada vez mais essa geração irá cobrar a flexibilidade. Portanto, se a empresa oferecer um pacote de benefício flexível e, eventualmente, uma remuneração flexível, será um diferencial”, destaca a Coordenadora de Remuneração.

Isso pode incluir não apenas a adaptação do pacote de benefícios às necessidades individuais dos colaboradores, mas também novas práticas que conectem o que a empresa oferece com a realidade de seus funcionários.

As novas gerações esperam que o pacote de remuneração esteja conectado com suas necessidades cotidianas. Isso abre espaço para benefícios que, até pouco tempo atrás, eram considerados diferenciais. Entre eles:

  • Incentivos ao bem-estar e saúde mental;
  • Apoio a atividades físicas;
  • Programas de desenvolvimento contínuo;
  • Políticas de folgas estratégicas.

Importante: a recomendação aqui não é inovar por tendência, mas sim analisar cuidadosamente o perfil de seus colaboradores para construir um pacote que faça sentido para a realidade do negócio.

Com essa transformação em curso, muitas organizações ainda cometem um erro ao redesenhar suas estratégias de remuneração.

O maior erro das empresas: tentar resolver tudo com dinheiro

Um dos equívocos mais comuns nas estratégias de remuneração é tentar resolver desafios de engajamento exclusivamente com aumento salarial.

Embora a remuneração financeira continue sendo relevante, ela não sustenta sozinha o vínculo com a organização. 

“As empresas precisam alinhar comportamento esperado, cultura organizacional e objetivos estratégicos com as práticas de remuneração e benefícios”, reforça Juliana.

Outro ponto crítico é a comunicação. Para uma geração acostumada à transparência e à comparação constante entre empresas, benefícios mal explicados ou pouco claros podem gerar frustração e desengajamento.

Diante desse cenário, surge uma nova forma de enxergar a remuneração, muito mais integrada à experiência completa do colaborador.

Um novo conceito de remuneração

As novas gerações não estão rejeitando trabalho nem responsabilidade. O que elas rejeitam são planos de carreira pouco claros, benefícios difíceis de entender, promessas vagas durante o processo seletivo e falta de transparência nas políticas internas.

Para esse público, a remuneração precisa fazer sentido sob três perspectivas:

  • Valor financeiro competitivo;
  • Benefícios que impactem a qualidade de vida;
  • Experiência profissional coerente com o que é prometido.

Quando existe alinhamento entre expectativa e realidade, o engajamento tende a crescer naturalmente. Caso contrário, nem mesmo bons salários conseguem sustentar a permanência dos profissionais por muito tempo.

E é importante dizer também que essa expectativa não é exclusiva da nova geração. Ela reflete um movimento mais amplo de amadurecimento das relações de trabalho.

Sua empresa está preparada para esse novo cenário?

O movimento das novas gerações representa mais do que uma mudança de comportamento: é um alerta. As organizações precisam repensar a forma como estruturam suas propostas de valor ao colaborador, construindo experiências de trabalho completas, coerentes e alinhadas às transformações do mercado.

Entender essas mudanças é o primeiro passo para construir estratégias de remuneração mais competitivas. A Carreira Muller oferece diagnósticos e projetos que ajudam as organizações a analisar, revisar e evoluir suas práticas de remuneração e benefícios, considerando tendências de mercado e expectativas das novas gerações. 

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