Insights de Mercado

Tokens e criptoativos: dá para usar na remuneração?

Navegue pelo sumário

No último artigo do nosso blog, entramos no universo das criptomoedas, especialmente o Bitcoin. Agora, seguimos a conversa com Leandro Barbarini, Consultor de Remuneração da Carreira Muller, para aprofundar a discussão — desta vez com foco em dois tipos específicos de criptoativos: tokens e stablecoins. 

  • Será que já dá para pensar nesses ativos como parte da remuneração de colaboradores?
  • Como funcionaria pagar em stablecoin?
  • ILP com tokens é viável?
  • E o que já acontece fora do Brasil?

Vamos por partes.

Tokens e stablecoins: o que são e como funcionam

Quando falamos de criptoativos, o primeiro nome que vem à mente é o Bitcoin. Mas há outras moedas, como as stablecoins. A principal diferença é que o Bitcoin é totalmente descentralizado, enquanto as stablecoins são lastreadas em ativos já conhecidos – geralmente o dólar.

“Nós temos moedas como o USDT e o USDC, que mantêm o mesmo valor do dólar. Isso acontece porque, ao comprar essa moeda em uma exchange (“casa de câmbio digital”), a empresa por trás da stablecoin recebe o valor em dólar e investe em ativos como o Tesouro Americano. As mais confiáveis passam por auditorias rigorosas e seguem critérios bem definidos de segurança”, explica Leandro.

Em resumo: as stablecoins são como “dólares digitais”, mais estáveis que outras criptos, mas ainda fora do sistema tradicional.

Já os tokens representam outro contexto: funcionam como a representação digital de um direito sobre um ativo real.

Um exemplo prático: imagine uma casa de R$ 1 milhão. Em vez de vender inteira, o dono pode “tokenizar” o imóvel e disponibilizar frações digitais dele. Assim, alguém pode comprar uma parte do imóvel por valores muito menores – até R$ 1. Não é preciso ter um único comprador.

É como transformar um bem físico em várias cotas digitais que podem ser negociadas em uma exchange. 

Dá para pagar salários com criptoativos?

Na prática, a legislação brasileira ainda é um obstáculo. O artigo 463 da CLT determina que o pagamento deve ser feito em moeda de curso legal – ou seja, em reais. 

Portanto, não é permitido pagar salários em stablecoin, token ou Bitcoin. Isso só se aplica em casos muito específicos, como premiações, bonificações esporádicas ou contratos com PJs — desde que tudo esteja declarado, documentado e com o consentimento do profissional. 

Fora do Brasil, no entanto, o cenário é diferente: algumas empresas já utilizam stablecoins para pagar colaboradores em outros países de forma rápida, segura e quase instantânea – sem depender de bancos tradicionais. Isso é mais comum em empresas globais e de tecnologia.

“Quando a gente precisa pagar um colaborador fora do Brasil, as stablecoins oferecem uma vantagem enorme. Enquanto o Pix só funciona por aqui, as transações em blockchain são praticamente instantâneas. Você consegue pagar alguém do outro lado do mundo em minutos, o que é um ganho enorme em agilidade”, diz Leandro.

Ganhei uma premiação em stablecoin, e agora?

Receber bônus em cripto pode levantar aquela dúvida: como usar esse valor no dia a dia?

“Se eu receber mil reais em USDC, por exemplo, preciso acessar uma exchange para fazer a conversão. Mas também posso usar diretamente em estabelecimentos que aceitam criptomoedas. Posso transferir da minha carteira para a de um lojista, dono de restaurante ou até de padaria”, exemplifica Leandro.

Algumas cidades turísticas, como Porto Alegre (RS), Rolante (RS), Santo Antônio do Pinhal (SP), Jericoacoara (CE) e São Thomé das Letras (MG) já contam com comércios que aceitam cripto como forma de pagamento. É um movimento ainda tímido, mas que começa a sair do digital para ganhar espaço na vida cotidiana.

Mas há um ponto de atenção: criptoativos podem variar muito de valor. Por isso, quando empresas oferecem esse tipo de pagamento, o contrato costuma prever o valor em reais e a conversão para cripto acontece em uma data e com uma cotação específicas. Assim, evita-se que o salário “derreta” (ou dobre) de um dia para o outro.

E como usar tokens para pagamentos?

Se stablecoins são mais usadas para pagamentos rápidos, os tokens abrem espaço para algo mais estratégico. Empresas podem tokenizar parte de seu capital e distribuir frações digitais como uma espécie de plano de participação nos lucros (PLR) ou incentivo de longo prazo (ILP).

Isso pode incluir:

  • Definir regras de uso e venda dos tokens (apenas interno ou aberto ao mercado);
  • Utilizar smart contracts para automatizar condições;
  • Criar restrições para garantir segurança e governança.

Inclusive, o Brasil já estuda mecanismos oficiais, como o Drex (Real Digital), que deve acelerar o uso desses modelos em poucos anos.

O futuro da remuneração pode ser digital?

Bitcoins, tokens e stablecoins ainda não substituem o real no pagamento de salários no Brasil, mas já aparecem como alternativas interessantes em premiações, bônus e remuneração global. Ainda estão no campo das “tendências”, mas pode ser que esses criptoativos transformem a forma como empresas lidam com incentivos, participação e transferências internacionais.

Quer saber mais sobre criptomoedas? Assista ao 135º episódio do ConsultAqui! E, claro, se precisar de ajuda, já sabe: fale com a gente.

Fale agora com um especialista agora mesmo!

Converse agora com o nosso time e tire todas as suas dúvidas.